Andy Warhol Mr America

Não somente uma referência obrigatória da pop art, mas também um estudo da nossa época, a obra de Andy Warhol exposta na mostra Mr America (Estação Pinacoteca) representa todas as nuances da contemporaneidade: do crime ao estrelato, o artista registrou em cores neon os símbolos da cultura de massa.
Além da célebre série de Marilyn Monroe, Warhol enquadrou o encantamento de Jackie Onassis numa impressionante de azuis reticulados. A improvável instalação “Silver Clouds” hipnotiza, com flutuantes sacos prateados. Seria uma releitura da corrida pelo espaço dos anos 60? Me fez querer voar. O confronto bipolar entre capitalismo e comunismo é simbolizado na discreta tela que funde seus dois maiores ícones: Mao Tsé Tung e uma lata de sopa Campbell´s.
A mostra também nos presenteia com brilhantes aforismos do artista. Tendo pintado uma série de serigrafias de um cadeira elétrica em diversas cores, ele diz: “quando você vê uma imagem repetidas vezes, ela perde a força”. Com isso, ele sintetiza o efeito da exibição em massa de imagens e temas promovida pela mídia, banalizando-as.
Esse tema é abordado mais uma vez nas telas sobre acidentes de carros, que impactam pela força, crueza e enquadramento fotográfico. O comentário, porém, aplica-se também ao seu próprio trabalho, em especial às séries icônicas como de Marilyn Monroe e das sopas Campbell’s. Ao repetir essas imagens, ele nos força a olhá-las de uma maneira diferente, causando um estranhamento e gerando novos significados.
A curadoria dessa mostra expressa o notável poder de Warhol para compreender a cultura de massa e o papel da América (Estados Unidos) como provedora de produtos culturais. Vale a pena.
Confira mais detalhes da exposição no Estadão.
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